terça-feira, 24 de julho de 2007

Educação vitoriosa.

Em 1960 o Brasil e a Coréia eram países subdesenvolvidos com índices de analfabetismo que beiravam os 35% da população total, sendo que o Brasil ainda estava em vantagem por não amargar uma guerra civil. Passados 45 anos, o abismo que separa os dois países é aterrorizante. Os coreanos praticamente erradicaram o analfabetismo e 82% dos jovens estão na faculdade enquanto o Brasil ainda mantém 13% da população analfabeta e apenas 18% dos jovens chegam às faculdades. Como a Coréia alcançou esses índices? A resposta é simples: os coreanos apostaram no investimento na educação, despejando verbas nas escolas públicas de ensino médio e fundamental deixando as universidades a encargo da iniciativa privada, enquanto o Brasil canalizou seus recursos para as universidades com projetos mirabolantes que se desintegravam a cada mudança de governo. No entanto, é impossível transportar integralmente o método coreano para o Brasil por diversas razões: A sociedade coreana é hierárquica e homogênea, além de ser um país pequeno. O Brasil não é nada hierárquico e recebeu inúmeros imigrantes que causaram uma diversificação cultural e étnica. Mesmo que o sistema coreano não funcione no Brasil, diversas ações podem ser tomadas como exemplo para uma revolução educacional. No sistema de ensino coreano, as crianças estudam até 12 horas por dia, e nas universidades subsidiadas pelas empresas privadas, as pesquisas são direcionadas diretamente aos mercados ascendentes. Os professores recebem em média U$ 6.000 e a profissão confere um Status Quo perante a sociedade. Os pais de alunos gastam cerca de 30% da renda familiar com cursos extra para que seus filhos estejam preparados para ingressar na faculdade e conseguir um bom emprego e acompanham de perto a educação que as crianças recebem na escola através de reuniões com professores e páginas da Internet. A competição entre os alunos é mais uma maneira de incentivar os estudos. As escolas fazem olimpíadas de matemática, competições de digitação na sala de informática... Em conseqüência de toda essa pressão das escolas, professores e pais, a Coréia tem o maior índice de suicídios na adolescência e 20% dos alunos do ensino médio já pediram ajuda a um terapeuta para lidar com o stress escolar. Nada é perfeito. O ideal seria que o Brasil investisse mais na educação, priorizando as escolas publicas de ensino médio e fundamental valorizando o professor, inserindo novas tecnologias e aumentando a carga horária diária, além de incentivar formas alternativas de aula que não apenas quadro negro e giz. Priorizando o ensino de base nas escolas públicas formaríamos adolescentes capazes de competir por vagas em boas universidades e futuramente por melhores empregos. Fonte: Revista Veja

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